A ação social e a expressão dos afetos como inovação social  

Um outro elemento de inovação social que estes movimentos sociais têm revelado, e esta é uma questão crucial para a museologia social, é a sua experiencia dos afetos. Mais acima argumentávamos que a raiva e o medo constituem o caldeirão emocional primordial que desencadeia a ação. A questão do afeto constitui a sua resolução.

A ação social em conjunto é também uma redescoberta do sentido de se estar junto. De entender o afeto e a criatividade do grupo. Os movimentos sociais estão a catalisar novas experiências sociais que opõem ao fascínio da sociedade dos indivíduos e ao individualismo altruísta hollywoodesco, com base no herói solitário.

Muito tem-se interrogado sobre os resultados destes movimentos sociais. Pergunta-se qual é a eficácia do movimento e o que é que ele tem trazido de novo para as problemáticas da emancipação social. Temos observado que nestes movimentos, os seus resultados não são particularmente relevantes. È certo que o movimento produz sempre qualquer resultado. Mas o que é sobretudo relevante é a participação no processo. A experiência de viver em processo e a aprendizagem de tomar voz, de encontrar outras vozes e de em conjunto procuraram caminhos constituem, em muitos casos caminhos de liberdade que vão sendo, localmente construídos, mostrando a diversidade das experiências.

Em suma, podemos sem dúvida afirmar que nestes movimentos sociais se está a construir o futuro e a decantar as novas formas de organização social. São movimentos, onde a partir dos problemas locais, dos problemas das pessoas, se estão a procurar soluções. Sabemos que os grandes processos de mudança na história não se geraram através de combates por ideias políticas, mas através da praticas dos movimentos sociais. As ações destes movimentos é que tem efeitos nas formas de organização dos sistemas políticos e na relação das instituições políticas com a sociedade.

Como diz Manuel Castells, a transição da sociedade industrial para a sociedade em rede, não pode ser feita com as mesmas instituições de poder cridas para a afirmação da sociedade burguesa e comercial. Os processos de comunicação estão a fazer emergir novas formas de organização que permitem ultrapassar os bloqueis dessa sociedade que se mostra incapaz de resolver os problemas sociais e procura, através do enfrentamento com os movimentos sociais, impedir essa alteração. Está o movimento da museologia social adequado a estes desafios, ou estará a reproduzir os vícios da sociedade decadente.