A confrontação com as diferentes ordens do poder e a afirmação das diferenças 

Há ainda uma outra característica nesses movimentos sociais, talvez a mais interessante em termos de inovação. Sabemos que existe uma tensão entre poderes locais. Uma tensão que foi permitindo a emergência de poderes globais, que atuam globalmente procurando absorver poderes locais, mostrando-se tanto mais eficientes nesse desígnio, quanto maiores foram o número de casos de subordinação.

Na lógica da competição entre poderes, a dimensão global é o espaço da afirmação do poder e a dimensão particular assume-se como o espaço da afirmação das diferenças. Na tensão entre o geral e o particular, o primeiro tende a procurar subordinar o segundo, ao mesmo tempo que a diferença procura assegurar a sua sobrevivência, negociando compromissos e metamorfoses. Ora se controlar o espaço local é a forma como o poder regula o espaço e o tempo, as normas são formas como esse poder controla os indivíduos no espaço e no tempo. A regulação social tem como função assegurar as conformidades da ação social. As sociedades globais instituirão as formas de representação democrática como forma de regulação do poder político.

A democracia representativa, permitia o exercício desse compromisso entre a tradição e a modernidade. De uma certa forma, assumiu-se como forma de regulação global. Ora nestes novos movimentos sociais podemos observar que eles também transportam uma contestação direta as forma de exercício do poder global, através da proposta de novas formas de exercício do poder democrático. De alguma forma estes movimentos estão a reinventar a prática da discussão democrática e o exercício e a experimentação de novas formas de democracia. Estão também a encontrar novas formas de exercitarem patrimónios e heranças que foram sendo esquecidos pelas praticas hegemónicas.

Nesses movimentos sociais estão a emergir novas formas de expressão democrática e estão a ser recuperados importantes patrimónios das economias solidárias e mutualistas. Estes movimentos sociais estão a tornar-se em campos de experiência de organização social e novos modos de fazer ação política. São espaços onde estamos a ouvir a vozes do mundo.

Não sabemos que novas formas de tomar decisão política irão emergir nesta novas sociedades dominadas por redes de informação e comunicação. Conseguimos no entanto entender que há novos processos de tomar decisão, de aprender a tomar decisão, das quais poderão sair novos tipos de organização sociais, adequadas às sociedades em rede.

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